segunda-feira, 20 de julho de 2020

I CORÍNTIOS 1

 
1. Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus), e o irmão Sóstenes,
Paulo declara ser apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. Sóstenes, provavelmente, foi aquele ferido em Acaia.
‘Então todos os gregos agarraram Sóstenes, principal da sinagoga, e o feriram diante do tribunal; e a Gálio nada destas coisas o incomodava.’ Atos 18:17

2. À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
O endereçamento da carta é para os coríntios e para todos os que invocam o nome do Senhor em todos os lugares e épocas. Isto inclui todos nós aqui no Brasil.

3.  Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
A saudação desejando paz é igual a que Jesus deu aos discípulos após a ressurreição.
‘Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.’ João 20:19

4. Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo.
A importância de agradecer a Deus pela vida dos irmãos terem sido alcançados pela graça de Deus.
‘Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.’ 1 Tessalonicenses 5:18

5. Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento.
Deus é quem enriquece espiritualmente aos que creem nele, principalmente na Palavra e no conhecimento.
‘Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo.’ 2 Coríntios 6:10

6. (Como o testemunho de Cristo foi mesmo confirmado entre vós).
Há o destaque no “Testemunho de Cristo”, sendo confirmado entre os coríntios, pois com a sabedoria enriquecida puderam falar de Cristo.
‘A minha língua falará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos são justiça.’ Salmos 119:172

7.  De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,
Com a manifestação dos dons, que não faltavam entre eles.

8. O qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
E este testemunho deverá ser confirmado no dia do Senhor, pelo próprio Cristo na sua volta.

9. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.
Novamente ele credita a Deus, o fato de os coríntios terem sido alcançados para a comunhão, através de Jesus Cristo.

10. Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.
Porém existia algo que deveria ser corrigido e o apóstolo começa a repreensão: todos devem dizer a mesma coisa, não deve haver dissensões, ter o mesmo pensamento e o mesmo parecer.
Dizer a mesma coisa: concordar nas coisas importantes.
Não haver dissensões: não ter brigas, discussões.
Ter o mesmo pensamento: ter unidade de mente.
Ter o mesmo parecer: ter a mesma conclusão das coisas.
Resumo: ter união de propósitos.

11. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós.
“Me foi comunicado”. Às vezes os líderes precisam ser informados dos “bastidores” da igreja. Porém só o que for útil para a edificação da comunidade.
‘Folgo, porém, com a vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava. Porque recrearam o meu espírito e o vosso. Reconhecei, pois, aos tais.’ 1 Coríntios 16:17,18

12. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.
São as chamadas “panelinhas” formadas na congregação: *Paulo provavelmente era seguido pelos gentios;
*Outro grupo seguia Apolo, que era ótimo orador ‘E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e poderoso nas Escrituras. Atos 18:24’;
*Os judeus seguiam Pedro – ‘Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão. Gálatas 2:7;
*E o quarto grupo era mais espiritual e seguia a Cristo.

13. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?
Quando ela fala de “Cristo dividido” está querendo dizer do “Corpo de Cristo”, que não tem sentido um corpo com membros separados. Ainda fala que a idolatria de homens não faz sentido um corpo com membros separados, pois quem foi crucificado foi Cristo; e em quem devemos ser batizados é em nome de Jesus Cristo.

14  a 16. Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro.
Paulo cita o nome de algumas pessoas a quem ele batizou, mas nenhuma em seu próprio nome.

17. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã.
O importante não é quantas pessoas foram batizadas, mas se foram evangelizadas corretamente, não em “sabedoria de palavra” (sabedoria humana, estratégia humana, planejamento humano, sabedoria da linguagem), para que o sacrifício de Cristo não seja em vão.

18. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
Os crentes são chamados de loucos pelos não crentes, mas a palavra da cruz, evangelização e a pregação da palavra é poder de Deus para nós.

19 e 20. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?
Onde está escrito? Is 29.14; Jó 5.12-13; Jr 8.9. Portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá. Isaías 29:14; Ele aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito. Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita. Jó 5:12,13; Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do Senhor; que sabedoria, pois, têm eles? Jeremias 8:9

21. Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
Deus sabia que o homem não poderia conhecê-lo por si só, por isso Ele se revelou ao homem através da pregação.

22. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
Muitas pessoas continuam em busca de sinais, curas e milagres, boa eloquência, diplomas etc.

23. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos.
A igreja deve pregar a Cristo crucificado, que para muitos não é suficiente.

24. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus
Mas quem entende e aceita, torna-se-á poder de Deus e sabedoria de Deus. Estes são chamados.

25. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens
O que os homens consideram “loucura” é muito mais sábia que os pensamentos humanos; e a “fraqueza” é muito mais forte que a força humana.

26. Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.
As escolhas de Deus não são baseadas segundo os preceitos humanos.

27. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;
Ele não escolhe os mais inteligentes, os mais bonitos, os mais ricos, pelo contrário: no ministério terreno de Jesus foram os mais simples que creram Nele. ‘Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?’ João 7:48; ‘Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?’ Tiago 2:5

28. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;
‘Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;’ Romanos 1:18-20

29. Para que nenhuma carne se glorie perante ele.
Ninguém pode se gloriar por ter sido escolhido, pois Deus escolhe unicamente pelo Seu poder.

30. Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;
A escolha de Deus é baseada nos méritos de Cristo, pois tudo foi feito por Ele. ‘A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis,’ Colossenses 1:21,22

31. Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor.
Quer se gloriar? Glorie-se no Senhor!‘Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva.’ 2 Coríntios 10:18
 

CONCLUSÃO:
 
          Paulo começa elogiando os coríntios, mas depois começa a repreendê-los pela sua forma de pensar, principalmente com respeito às divisões proporcionadas por escolhas baseadas no conceito humano. Paulo os faz lembrar que o modo de Deus agir é totalmente diferente do nosso. Nós olhamos o exterior, mas Deus olha o interior. Para Deus não importa os títulos, a riqueza, a sabedoria humana, pois se isso for importante para Ele, a escolha seria por mérito do homem. Ele quer as coisas simples para que a gloria seja dada somente ao Senhor Jesus.


terça-feira, 21 de abril de 2020

A ALMA MORRE?


 A ALMA MORRE?


          A confissão de fé de Westminster, escrita no século 17 declara, em parte: “O corpo dos homens depois de morrer volta ao pó, e vê a corrupção; mas as suas almas (que nunca morrem nem dormem), têm uma subsistência imortal, retornam imediatamente a Deus que as deu. As almas dos justos, tornadas perfeitas em santidade são recebi- das nos altos céus, onde contemplam a face de Deus em luz e glória; aguardando a completa redenção dos seus corpos.”
          Mas, encontramos este conceito na Bíblia? Declaram as Escrituras que os justos vão para o céu quando morrem?
          David, o rei de Israel e autor de muitos dos Salmos, e a quem Deus designou como “varão conforme o meu coração” (Actos 13:22), não foi para o céu quando morreu; acerca desta realidade e sob inspiração de Deus, o apóstolo Pedro escreveu: “Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura” (Actos 2:29); e acrescentou: “David não subiu aos céus” (versículo 3).
          
          Em Jo 5.26-29 encontramos que haverá um dia em que aqueles que estão nas sepulturas ouvirão a voz de Cristo e sairão, uns para a ressurreição da vida e outros para a ressurreição do juízo. Bom, se ouvirão, significa que não estão mortos, pois um morto não ouve nada, não fala nada, não manifesta nenhuma vontade.
          
          Em I Pe 3.18-20 encontramos que Jesus após a sua morte foi pregar aos espíritos em prisão, aqueles que desobedeceram no período que Deus deu para arrependimento enquanto Noé preparava a arca. Ou seja, se ouviram a pregação de Jesus, estavam vivos ou mortos?
Em Lc 16.19-31 encontramos a “parábola” do rico e o Lázaro, quando percebemos que estão em plena consciência depois de terem morrido.
        
          Podemos concluir essa parte dizendo que foram mortos sim; seus corpos estão na sepultura sim; mas suas almas estão vivas, conscientes e aguardando o juízo. Hb 9.27-28 E aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.
          
          David foi incluído pelo autor da epístola aos Hebreus, entre os que morreram na fé (Hebreus 11:32); sendo um de quem está escrito: “E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (versículo 39).
          O próprio Jesus, falando cerca de mil anos depois da morte de David, disse: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem ... ” (João 3:13). Isto significa que Abraão, Moisés, David, os profetas e todos os outros homens e mulheres justos que viveram antes da primeira vinda de Cristo não foram para o céu; foram sepultados como o foi David.

          Entretanto em Mt 22.32 ao responder aos saduceus, a respeito de quem seria o esposo da mulher que possuiu 7 maridos, Jesus respondeu que Deus é um Deus de vivos e não de mortos, ao citar a referência de Êxodo, quando Deus se apresentou a Moisés, sendo o Deus de Abraão, Isac e Jacó.

          Realmente eles não foram para o céu, senão Cristo seria mentiroso em Jo 3.13. porém eles estavam vivos.

          O conceito de que a alma vai para o céu quando uma pessoa morre – ainda que mantido por muitas pessoas de boa fé – não encontra fundamento na Bíblia; resulta, isso sim, da falta de entendimento das Escrituras e muita confusão sobre o ensino nelas contido a respeito da ressurreição.

          O problema não é só esse!  Acontece que no antigo testamento o conceito de alma e corpo difere do novo testamento. No AT alma e corpo são matérias: o corpo é feito do pó da terra (Gn 2.7) e a alma de toda carne está no sangue (Lv 17.11). Então veio a proibição de comer sangue, porque no sangue estava a vida do ser. Portanto eles acreditavam que ao morrer o corpo e o sangue ser derramado a alma também morria. Inclusive esta questão de a alma morrer está bem claro em Ez 18.20 “A alma que pecar, essa morrerá...” 

          Mas precisamos entender que a palavra usada para traduzir por alma, no AT tem sentido polissêmico, ou seja, ora está falando de pessoas, de espírito, de ser etc. Não há uma definição quanto ao seu real significado. Para isso é necessário investigar o contexto em que está sendo utilizada a palavra. No caso de Ezequiel está falando claramente que é a ‘pessoa’ que pecar quem vai morrer.

          Outra ideia que era comum no AT é de que o corpo era uma prisão da alma. Teoria vinda do platonismo que impregnou a cultura da época e influenciou a crença de que a alma e o espírito eram a mesma coisa. Por isso Sócrates tomou veneno para morrer e estava feliz em, finalmente, ter a sua alma liberta. Este conceito é totalmente antibíblico.

          Por outro lado, no AT espírito era considerada uma influência que vinha sobre alguém. Da mesma forma que alma, a palavra traduzida por espírito tinha o sentido de vento, sopro, mover etc. Que não traduz de forma clara o seu significado real, só pelo contexto.

          Contudo, em Ef 2.20 encontramos que devemos estar “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”, ou seja, o fundamento de nossa teologia tem que estar primeiro nos apóstolos, depois nos profetas, e todos baseados nos ensinos de Jesus.

          No NT encontramos o conceito de corpo, alma e espírito sendo desmistificado e explicado corretamente: em I Ts 5.23 há uma clara separação entre os três, e todos devem estar irrepreensíveis quando da vinda do Senhor. E a base do ensino de Cristo encontramos no episódio da cruz, quando o ladrão recebe a promessa de que estaria ‘hoje’ com Jesus no paraíso. Se ele iria morrer e o seu corpo sepultado, o que estaria no paraíso?

          A Bíblia ensina que o ‘Sheol’, que foi traduzido para o grego como ‘Hades’, é o lugar dos mortos. Neste lugar, até a morte de Cristo estariam todos os ‘mortos’, separados por um abismo entre os bons e os maus, Lc 16. Quando um cristão morre, não fica sob o poder da morte Sl 49.15, já estão na presença de Deus, aguardando a ressurreição, Ap 6.10. Quando Cristo voltar, os trará consigo e eles ressuscitarão primeiro, enquanto os vivos serão transformados, I Ts 4.13-18. Todos receberão os galardões e estaremos para sempre com Ele, Ap 22.12. Para os que permanecerem no Hades ou Sheol, a ressurreição acontecerá depois do milênio e será seguida da segunda morte, que é o lago de fogo e enxofre, Ap 20.11-15. Detalhe: todos estarão conscientes, tanto os bons como os maus, Mt 25.31-46.

          De fato, quando uma pessoa morre, a sua alma vai direto para o céu?

          Respondendo a esta pergunta temos duas respostas, de acordo com o ensino do NT:
          a.      Sim. Se ela for uma seguidora dos ensinos de Cristo, Sl 49.15; Lc 16.19-31.
                b.     Não. Se ela não for uma seguidora dos ensinos de Cristo, Lc 16.19-31; I Pe 3.18-20.
          Porém precisamos explicar que o céu a que estamos nos referindo ainda não é o lugar definitivo de todos os crentes, pois para entrar lá é necessário o corpo, e este só receberemos na ressurreição. Este céu é um estado intermediário, onde já podemos experimentar as bençãos eternas, mas ainda não em plenitude; da mesma forma que os ímpios, neste estado intermediário, já experimentarão tormentos, mais ainda não em plenitude, Lc 16.23.

          E sempre lembrando que estamos analisando dentro da nossa perspectiva do Cronos, ou a cronologia de antes e depois. Após a morte entraremos no tempo Kairós, ou seja, sem antes e depois. Será um eterno já! ! !

Édison da Silva Gonçalves é Psicanalista, Bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico Bispo José Alfredo e do Seminário da Igreja Evangélica da Vila Militar, no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

ELE É DIGNO!!!

Ap 5.12

Os capítulos 4 e 5 do livro do Apocalipse revelam o que o autor, que segundo a tradição é o apóstolo João, viu quando foi arrebatado em visão aos céus. Ele chega e v~e alguém sentado no trono, porém ele não consegue identificar o rosto daquele que está sentado, pois o brilho tão forte, que ofusca a sua vista, e ele compara este brilho ao brilho de pedras preciosas. Na mão daquele que está sentado no trono está um livro e um anjo está perguntando quem é digno de abrir o livro. E dia o autor que neste momento ele começou a chorar, pois não foi achado ninguém no céu, na terra e nem embaixo da terra alguém que fosse digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele. Entretanto um dos anciãos consolou o apóstolo dizendo que 'o Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi havia vencido e estava apto para abrir o livro. Então Ele se apresenta, toma o livro da mão direita daquele que está assentado no trono e quando isso acontece todos os seres que estavam ao redor do trono se prostram em adoração e começam a cantar um hino. E o hino que eles cantavam era de pura adoração a Cordeiro que venceu, que foi morto, mas ressuscitou e, por isso, é merecedor de receber o poder, a riqueza, e  sabedoria, e  força, e honra, e glória, e louvor. E no final do cântico todos responderam AMÉM. 
Esse ato de abrir o livro, eu entendo que seja o controle exercido nos destinos da humanidade. por isso não devemos entrar em desespero, ansiedade, depressão, pois tudo está no controle daquele que é digno abrir o livro. Para nós resta cumprir o que está no versículo 13 e ao final dizer um grande e sonoro AMÉM 

terça-feira, 18 de setembro de 2018

ESCATOLOGIA - AULA 9 - AS RECOMPENSAS


ESCATOLOGIA

AULA 9 – 11 Set 2018

AS RECOMPENSAS – (pág 9)


Em Ap. 22.12, Jesus declara que quando ele vier (e isto será sem demora) trará o galardão para retribuir a cada um segundo as suas obras.
Em II Co 5.10 Paulo fala que “todos nós compareceremos perante o Tribunal de Cristo, para receber segundo o mal ou o bem que tivermos feito por intermédio do corpo”.
Em Hb 4.13 encontramos que nada fica encoberto “aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.
A Bíblia não declara o momento exato desta entrega, mas, com certeza, será depois da volta de Cristo, pois é Ele quem vai entregar quando vier (Ap 22.12; Is 40.10; Is 62.11).
Quais são as recompensas citadas na Bíblia?
1. Pedrinha branca (Ap 2.17) – a ênfase do texto não deve ser na pedra branca, mas no nome que nela estará escrito (Is 56.5; 62.2; 62.12; 65.15; Ap 3.12; Ap 19.12; 19.16;);
2. Coroas –
* em sentido literal: a) prêmio entregue aos vencedores (I Co 9.25);
b) emblema de dignidade e realeza (Ap 6.2; 12.1;14.14);
* em sentido figurado: a) ornamento, honra, glória, aquilo que alguém pode se gloriar (Fl 4.1; I Ts 2.19-20)
b) um símbolo de recompensa da vida eterna (II Tm 4.8; Tg 1.12; I Pe 5.4; Ap 2.10; 3.11)
A conclusão que chegamos é que as recompensas são o reconhecimento de Cristo pelo trabalho que nós fizemos em Sua obra de evangelização dos povos. Não deve ser encarada como algo valioso aos nossos olhos, pois, se no céu descrito em Apocalipse pisaremos em ruas de ouro, significa que este metal aos olhos de Deus tem um valor diferente. Por isso devemos entender que não existirá recompensa maior do que ver as almas que foram fruto do nosso trabalho estarem gozando das bem-aventuranças do céu de Cristo.

Édison da Silva Gonçalves é bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico Bispo José Alfredo, em Realengo, Rio de Janeiro.


ESCATOLOGIA - AULA 8 - MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DE PROFECIAS


ESCATOLOGIA

AULA 8 – 04 Set 2018

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DE PROFECIAS – (pág 3 a 7)

Na última aula vimos que a divergência entre os pré-tribulacionistas e os pós-tribulacionistas surgiu devido a forma como um e outro interpreta as Escrituras e mais especificamente as profecias bíblicas. Para os primeiros a interpretação literal é a forma mais correta, para os outros nem sempre podemos fazer este tipo de leitura da Bíblia, pois há momentos em que o simbolismo, a alegoria é utilizada e, por isso o exegeta terá de utilizar este recurso para ter uma visão correta do que o autor bíblico quis informar ao povo de Deus.
Como já dissemos, não é somente no Apocalipse que encontramos a Escatologia Bíblica, entretanto é neste livro que ficam mais evidentes as dificuldades de interpretação das profecias. A começar pelos destinatários da mensagem: seriam as sete igrejas, denominadas no cap. 1, as únicas para quem o autor queria entregar as palavras da profecia, ou seria todo o povo escolhido de todas as eras e até para nós hoje?
MIRANDA (2013) declara que naquela época já haviam as igrejas de Jerusalém, Antioquia, Roma, Colossos e outras, chegando a um total de até 20 localidades das quais não são citadas no livro; A perseguição aos cristãos de uma forma geral só ocorreu na metade do século II e início do século III com Diocleciano; até nos nossos dias existem cristãos sendo perseguidos e mortos em diversas partes do mundo; o Apocalipse é o único livro que promete benção a todo aquele que ouve a mensagem do livro (Ap 22.18-19). Então podemos afirmar que este livro não foi escrito só para os cristãos da época do escritor, mas para toda a igreja de Cristo espalhada por toda a terre em todas as épocas.
O idioma original é o grego koiné, que por si só já oferece uma dificuldade de interpretação, devido a sua complexidade e riqueza de palavras e significados e por ser uma língua que não é mais falada nos dias atuais.
Existem dois métodos principais de interpretação, embora com variações: o método alegórico e o método literal.
1. O método alegórico: nega ou despreza o sentido histórico e a tônica recai no sentido secundário do texto, ou seja, aquilo que você lê, não é aquilo que você lê. Tem algo oculto, nas entrelinhas. Neste sentido a Bíblia não é a autoridade máxima, mas a mente do intérprete. Ex. A travessia do Mar de Juncos (Mar Vermelho).
2. O método literal: dá a cada palavra o mesmo sentido exato como é empregada, do modo escrito, oral ou conceitual. Refere-se a fatos e desconsiderá-los é anular as palavras de Deus. Ex. A travessia do Mar de Juncos (Mar Vermelho).
O sentido literal é o mesmo em todas as línguas. Todos os sentidos secundários dependem do sentido literal prévio dos termos. É o único freio à imaginação do homem. Dentro desta visão, o Novo Testamento faz uso do Antigo Testamento em sentido literal e as figuras de linguagem devem ser empregadas para revelar os sentidos literais. Por exemplo: Ap 1.16 é dito que “… uma espada afiada de dois gumes saía de Sua boca...” e isto literalmente é um simbolismo para o juízo do final dos tempos (CAITANO, 2010).
As palavras podem ter significado literal em uma passagem e simbólico em outra. Ex. Sl 8.3 e Ap 1.20 (estrela). O texto pode ser simbólico ou literal simultaneamente. Ex. A história de Abraão levando Isaac para o sacrifício pode ser interpretada alegoricamente e literalmente. Um símbolo pode ter mais de um sentido alternadamente. Um texto pode estar até em contrário a outro sentido Ap 5.5 (o leão representa Jesus) e I Pe 5.8 (o leão representa o Diabo).
Diante de tantas alternativas, fica patente a diversidade de interpretações que um texto profético pode ter. Por isso os teólogos criaram uma espécie de dicionário de símbolos proféticos, que nos ajudam a direcionar nossa visão para interpretar o mais corretamente possível a literatura profética.




Édison da Silva Gonçalves é Bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico Bispo José Alfredo, em Realengo, Rio de Janeiro.

ESCATOLOGIA - AULA 7 – O MILÊNIO

ESCATOLOGIA

AULA 7 – 28 Ago 2018

O MILÊNIO – (pág 9, 18)


     Para entendermos a doutrina do milênio, precisamos tecer alguns comentários sobre as escolas de interpretação das profecias bíblicas.
          1. Escola Historicista: é a forma de interpretar a profecia bíblica através dos fatos ocorridos no decorrer da história humana. Ela é dividida em interpretação não histórica e interpretação histórica.
               a) interpretação não histórica: é baseada no conteúdo não literal, isto é, alegórico, espiritual e moralista do texto. É uma interpretação de ideias e ideais para vida cotidiana, dando liberdade a qualquer um interpretar de acordo com o seu conhecimento.
               b) interpretação histórica: é baseada, também, no conteúdo alegórico, porém sem espiritualizar ou moralizar, tendo como foco encaixar as profecias bíblicas nos diversos eventos históricos, principalmente na Idade Média, quando o sistema papal foi identificado como o Anticristo e os eventos que se seguiram eram uma consequência deste sistema e sua aplicação no mundo daquela época. Tudo já se cumpriu. Apenas servem para nós como um apontamento do que devemos ou não fazer, para não sofrermos as consequências.

          2. Escola Preterista: interpreta com a ótica de que tudo que está na profecia bíblica se cumpriu até o final do século I da era cristã, mais precisamente no ano 70 com a destruição de Jerusalém e a dispersão dos judeus. É também baseada no conteúdo figurado e tanto o livro do Apocalipse como o de Daniel contam a história dos eventos do ano 70, sendo que o livro de Daniel foi escrito no século II a. C, por isso a exatidão das informações.

          3. Escola Futurista: interpreta com a ótica de que tudo que está na profecia bíblica é destinado a se cumprir no futuro, próximo ou distante. Devido ao seu conteúdo literal é dividida em Futurista Extremo e Futurista Moderado.
               a) Futurista Extremo: é totalmente literal em sua interpretação, fazendo uma distinção especial em Ap 2 e 3, onde encaixa as 7 igrejas como exemplificando a igreja em todos os tempos; é pré-tribulacionista (Jesus volta secretamente para arrebatar a igreja antes da Grande Tribulação); é personalista (o anticristo é uma pessoa não um sistema como creem os historicistas); é pré-milenista (Jesus volta visivelmente antes do milênio para implantar um reino literal aqui na Terra); é exclusivista (a profecia bíblica é exclusiva par o final dos tempos); e sionista extremo (igreja é diferente de Israel nação, o qual reconhecerá Cristo com Messias no final da história). Foi desenvolvido no século XIX, com John Nelson Darby e Cyrus I. Scofield, com sua Bíblia de Referências e as 7 dispensações do dispensacionalismo.
               b) Futurista Moderado: são mais cautelosos na interpretação. Não aceitam as dispensações; não são pré-tribulacionistas; não são literalistas; as profecias sobre Israel cumpriram-se na igreja, pois não há distinção entre Israel e igreja. Para eles o Apocalipse revela os acontecimentos do primeiro século (capítulos 2 e 3) e os eventos do final da história humana. 
     Entender as escolas de interpretação da profecia bíblica nos ajuda a entender as diversas posições doutrinárias sobre o milênio: Amilenismo, Pós-milenismo e Pré-milenismo. Em Ap 20.1-6 encontramos que Jesus reinará com seus santos durante 1000 anos. Mas este reino será literal ou simbólico? Ou este reino já está acontecendo no céu e não será aqui na Terra? O objetivo de sabermos isto é dar consistência ao nosso discurso, a fim de que possamos ter certa coerência no que pregamos.
          1. Amilenismo: para estes teólogos o milênio não será um reino literal de 1000 anos, mas o milênio já começou na primeira vinda de Cristo e se encerrará na segunda vinda, ou seja, um longo período de tempo, e quando Jesus reinar, após o Juízo Final, será no céu e não na Terra..
          2. Pós-milenismo: para estes teólogos o milênio é simbólico e Jesus já reina no céu e a igreja já desfruta de paz na Terra. Na medida que o evangelho for pregado a todas as nações e a maioria se converter, o mundo cristianizado seria um paraíso na terra. O milênio seria este período de paz num mundo convertido e se convertendo que vai melhorando gradualmente.
         3. Pré-milenismo: para estes teólogos Jesus vai voltar visivelmente para reinar aqui na Terra antes do Juízo Final. Era a crença corrente até o século IV de nossa era, tanto para judeus como para a igreja.

Édison da Silva Gonçalves, é Bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico bispo José Alfredo, em Realengo, Rio de Janeiro.

ESCATOLOGIA - AULA 6 – AS TEORIAS 2

ESCATOLOGIA

AULA 6 – 21 Ago 2018

AS TEORIAS (parte 2)

Dispensacionalismo x Aliancismo

Pós-tribulacionismo / Midi-tribulacionismo

     Por que existe o pós-tribulacionismo? Para entendermos o Pós-tribulacionismo precisamos entender o que originou as divergências entre os teólogos sobre este assunto. Na última aula conhecemos a teoria das sete dispensações, de onde originou o dispensacionalismo, teoria que divide a história bíblica em períodos distintos, nos quais Deus trata o homem de diferentes maneiras.
     Entretanto, antes do surgimento do dispensacionalismo no século XIX, já existia outra teoria, que foi desenvolvida no período da Reforma Protestante, baseada nas alianças que Deus havia feito com o seu povo. Esta teoria ficou conhecida como teologia do pacto e acredita que toda a Bíblia se resume em dois pactos: Pacto da Graça, feito entre o Pai e o Filho, antes da fundação do mundo e o Pacto das Obras, feito com Adão no Éden.
     Eles acreditam também que o Espírito Santo e a Graça sempre estiveram presentes, mesmo durante o Antigo Testamento, diferentemente do dispensacionalismo que acredita que só na dispensação da Graça isto ocorreu. Dos pactos principais surgiram outros pactos consecutivos: (na apostila, pág 30 a 32 temos exemplos de algumas destas alianças).
     Temos então os aliancistas e os dispensacionalistas. A diferença entre eles está na dispensação da graça, quando divergem na visão entre igreja e israel. Os aliancistas creem que a igreja é o “Israel de Deus”, enquanto os dispensacionalistas creem que a igreja é diferente de Israel. Como consequência desta divergência, para os aliancistas todas as profecias que fazem referência à tribulação, como em Mt 24, como a igreja é Israel, ambos passarão pela tribulação. Porém, para os dispensacionalistas, como a igreja não é Israel de Deus, somente o Israel como nação passará pela tribulação. Isto vale a todas as profecias referentes a Israel, sejam elas escatológicas ou não.
     Os aliancistas creem desta forma porque em Gl 3.26-29 fala que quem creu pela fé, participará das mesmas promessas feitas a Israel. Já os dispensacionalistas creem que a igreja não se torna Israel pela fé, mas o Israel de Deus convertido vira igreja, ou seja, o Israel de Deus é o povo da nação de Israel e a igreja são os judeus e gentios convertidos (Ef 2.13-15).
     Qual a importância de entendermos isso? Para os que creem que Deus tem um plano diferente para igreja, a tribulação é só para Israel e Deus tirará a igreja antes. Estes são os pré-tribulacionistas. Mas para aqueles que creem que a igreja é o Israel de Deus, a tribulação é para todos e Deus só livrará o seu povo da ira vindoura no final da Grande Tribulação. Estes são os pós-tribulacionistas.
     Quais as crenças concordantes entre aliancistas e dispensacionalistas: Jesus vai voltar; Jesus julgará os vivos e os mortos; haverá a ressurreição dos mortos; Satanás será julgado e condenado; e haverá um momento de paz e prosperidade.

Midi-tribulacionismo

     Alguns pré-tribulacionistas chegaram a conclusão que não havia como negar que a igreja passaria pela grande tribulação. Então eles criaram a teoria de que a igreja passaria pela primeira parte da tribulação e seriam arrebatados da 2ª parte da Grande tribulação (Ap 3.10).



Édison da Silva Gonçalves é Bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico Bispo José Alfredo, em Realengo, Rio de Janeiro.