terça-feira, 18 de setembro de 2018

ESCATOLOGIA - AULA 9 - AS RECOMPENSAS


ESCATOLOGIA

AULA 9 – 11 Set 2018

AS RECOMPENSAS – (pág 9)


Em Ap. 22.12, Jesus declara que quando ele vier (e isto será sem demora) trará o galardão para retribuir a cada um segundo as suas obras.
Em II Co 5.10 Paulo fala que “todos nós compareceremos perante o Tribunal de Cristo, para receber segundo o mal ou o bem que tivermos feito por intermédio do corpo”.
Em Hb 4.13 encontramos que nada fica encoberto “aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.
A Bíblia não declara o momento exato desta entrega, mas, com certeza, será depois da volta de Cristo, pois é Ele quem vai entregar quando vier (Ap 22.12; Is 40.10; Is 62.11).
Quais são as recompensas citadas na Bíblia?
1. Pedrinha branca (Ap 2.17) – a ênfase do texto não deve ser na pedra branca, mas no nome que nela estará escrito (Is 56.5; 62.2; 62.12; 65.15; Ap 3.12; Ap 19.12; 19.16;);
2. Coroas –
* em sentido literal: a) prêmio entregue aos vencedores (I Co 9.25);
b) emblema de dignidade e realeza (Ap 6.2; 12.1;14.14);
* em sentido figurado: a) ornamento, honra, glória, aquilo que alguém pode se gloriar (Fl 4.1; I Ts 2.19-20)
b) um símbolo de recompensa da vida eterna (II Tm 4.8; Tg 1.12; I Pe 5.4; Ap 2.10; 3.11)
A conclusão que chegamos é que as recompensas são o reconhecimento de Cristo pelo trabalho que nós fizemos em Sua obra de evangelização dos povos. Não deve ser encarada como algo valioso aos nossos olhos, pois, se no céu descrito em Apocalipse pisaremos em ruas de ouro, significa que este metal aos olhos de Deus tem um valor diferente. Por isso devemos entender que não existirá recompensa maior do que ver as almas que foram fruto do nosso trabalho estarem gozando das bem-aventuranças do céu de Cristo.

Édison da Silva Gonçalves é bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico Bispo José Alfredo, em Realengo, Rio de Janeiro.


ESCATOLOGIA - AULA 8 - MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DE PROFECIAS


ESCATOLOGIA

AULA 8 – 04 Set 2018

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DE PROFECIAS – (pág 3 a 7)

Na última aula vimos que a divergência entre os pré-tribulacionistas e os pós-tribulacionistas surgiu devido a forma como um e outro interpreta as Escrituras e mais especificamente as profecias bíblicas. Para os primeiros a interpretação literal é a forma mais correta, para os outros nem sempre podemos fazer este tipo de leitura da Bíblia, pois há momentos em que o simbolismo, a alegoria é utilizada e, por isso o exegeta terá de utilizar este recurso para ter uma visão correta do que o autor bíblico quis informar ao povo de Deus.
Como já dissemos, não é somente no Apocalipse que encontramos a Escatologia Bíblica, entretanto é neste livro que ficam mais evidentes as dificuldades de interpretação das profecias. A começar pelos destinatários da mensagem: seriam as sete igrejas, denominadas no cap. 1, as únicas para quem o autor queria entregar as palavras da profecia, ou seria todo o povo escolhido de todas as eras e até para nós hoje?
MIRANDA (2013) declara que naquela época já haviam as igrejas de Jerusalém, Antioquia, Roma, Colossos e outras, chegando a um total de até 20 localidades das quais não são citadas no livro; A perseguição aos cristãos de uma forma geral só ocorreu na metade do século II e início do século III com Diocleciano; até nos nossos dias existem cristãos sendo perseguidos e mortos em diversas partes do mundo; o Apocalipse é o único livro que promete benção a todo aquele que ouve a mensagem do livro (Ap 22.18-19). Então podemos afirmar que este livro não foi escrito só para os cristãos da época do escritor, mas para toda a igreja de Cristo espalhada por toda a terre em todas as épocas.
O idioma original é o grego koiné, que por si só já oferece uma dificuldade de interpretação, devido a sua complexidade e riqueza de palavras e significados e por ser uma língua que não é mais falada nos dias atuais.
Existem dois métodos principais de interpretação, embora com variações: o método alegórico e o método literal.
1. O método alegórico: nega ou despreza o sentido histórico e a tônica recai no sentido secundário do texto, ou seja, aquilo que você lê, não é aquilo que você lê. Tem algo oculto, nas entrelinhas. Neste sentido a Bíblia não é a autoridade máxima, mas a mente do intérprete. Ex. A travessia do Mar de Juncos (Mar Vermelho).
2. O método literal: dá a cada palavra o mesmo sentido exato como é empregada, do modo escrito, oral ou conceitual. Refere-se a fatos e desconsiderá-los é anular as palavras de Deus. Ex. A travessia do Mar de Juncos (Mar Vermelho).
O sentido literal é o mesmo em todas as línguas. Todos os sentidos secundários dependem do sentido literal prévio dos termos. É o único freio à imaginação do homem. Dentro desta visão, o Novo Testamento faz uso do Antigo Testamento em sentido literal e as figuras de linguagem devem ser empregadas para revelar os sentidos literais. Por exemplo: Ap 1.16 é dito que “… uma espada afiada de dois gumes saía de Sua boca...” e isto literalmente é um simbolismo para o juízo do final dos tempos (CAITANO, 2010).
As palavras podem ter significado literal em uma passagem e simbólico em outra. Ex. Sl 8.3 e Ap 1.20 (estrela). O texto pode ser simbólico ou literal simultaneamente. Ex. A história de Abraão levando Isaac para o sacrifício pode ser interpretada alegoricamente e literalmente. Um símbolo pode ter mais de um sentido alternadamente. Um texto pode estar até em contrário a outro sentido Ap 5.5 (o leão representa Jesus) e I Pe 5.8 (o leão representa o Diabo).
Diante de tantas alternativas, fica patente a diversidade de interpretações que um texto profético pode ter. Por isso os teólogos criaram uma espécie de dicionário de símbolos proféticos, que nos ajudam a direcionar nossa visão para interpretar o mais corretamente possível a literatura profética.




Édison da Silva Gonçalves é Bacharel em Teologia, Pastor e Professor do Seminário Teológico Bispo José Alfredo, em Realengo, Rio de Janeiro.