domingo, 9 de julho de 2017

A CEIA DO SENHOR

I Co 11.17-34

     v. 17-18 – nestes versículos o apóstolo Paulo alerta aos coríntios que as suas reuniões não são para uma coisa boa e nisto eles foram reprovados e não são merecedores de elogios. Esta atitude dele foi porque alguém da comunidade informou a existência de divisões dentro da igreja.

     v. 19 – Paulo fala que as divisões em certo sentido é boa, pois é através dela que aqueles que são verdadeiros cristãos são diferenciados daqueles que só aparentam serem crentes.

     v. 20-22 – quando os cristãos primitivos se reuniam para celebrar a comunhão era costume realizar uma refeição comunitária em conjunto com a celebração da Ceia do Senhor. O Apóstolo fala que a reunião da ceia deveria ser celebrada como um exemplo de união, porém as pessoas estavam preocupadas apenas em se alimentar e parece que os mais abastados esqueciam dos mais pobres e comiam o melhor da festa sim se importar com quem viesse depois. Havia um total descaso com o outro. Ninguém se preocupava com o ‘bem-estar’ coletivo, apenas com o encher a sua própria barriga. Ele alerta que para encher a barriga era em suas próprias casas que isso deveria ocorrer. E isto ele estava reprovando dos coríntios.

    v. 23-25 – nestes versículos ele começa enfatizando que o que ele ensinava teria recebido diretamente do Senhor, portanto tinha a máxima autoridade para orientar a qualquer um sobre a ceia. E então passa a recordar o que aconteceu na noite da ceia, embora ele não estivesse presente, pode ter recebido as informações diretamente de quem esteve presente no local. Isso não seria nenhum problema, considerando que essa carta foi escrita apenas mais ou menos 20 anos após os eventos ocorridos.

     v. 26 – ele fala do objetivo da cerimônia que é ‘anunciar a morte do Senhor até que Ele venha’. Este anúncio é feito através do próprio ato de comer o pão e beber o vinho. O pão significa o corpo de Cristo que foi morto na cruz e o vinho o Seu sangue que, da mesma forma, foi derramado para a remissão dos pecados.

    v. 27-29 – ele trata das consequências de comer o pão e beber o vinho com indignidade. Indignidade é uma ação injuriosa ou afrontiva. Quem é indigno é ordinário, inconveniente e desprezível. Na esfera jurídica o significado da indignidade são mais fortes e abrangentes que na linguagem comum. No direito brasileiro uma indignidade é causa de deserdação, a exclusão do herdeiro de receber sua herança. A expressão ‘réu do corpo e do sangue do Senhor’ fala da possibilidade de sofrer julgamento aquele que assim proceder. Em algumas traduções é dito ‘culpado do corpo e do sangue do Senhor’, ou seja, deixa de ser réu e já está condenado.

     v. 28 – por isso a necessidade do exame individual antes de participar da ceia. E após ao exame, não deixar de participar. Nenhum pecado é tão grave que impeça qualquer pessoa de tomar da ceia. O importante é que neste exame haja o reconhecimento da culpa, o pedido de perdão e a fé de que foi perdoado. Esta expressão ‘examine-se’ traz uma ideia de que ao final do processo, a pessoa se sinta aprovada. Então diante disso ela tenha plena capacidade de participar normalmente da cerimônia. Esta ideia de aprovação vem do grego ‘dokimós’ , que é a mesma palavra que Paulo usa em II Tm 2.15, com respeito de como deveria ser aquele que almeja o ministério pastoral. Os dokimós eram homens que trabalhavam na conferência do peso das moedas, atestando que não houve adulteração e que continham o valor nelas especificados. Eles utilizavam balanças para pesar o dinheiro e com o resultado do peso sabiam se houve ou não falsificação. Estes homens ficavam acima de qualquer suspeita e eram escolhidos ‘a dedo’ e gozavam da maior confiança seja dos banqueiros seja da população em geral. Eram homens dignos, aprovados.

     v. 29-30 – por isso a necessidade de ‘comer discernindo o corpo’. Este é o versículo chave das instruções para a ceia. O que nos faz diferentes de qualquer religião, é termos um Deus que é a cabeça e nós o seu corpo. Quando Paulo inicia a fala aos coríntios, ele reprova a atitude deles de não serem corpo, ou seja, não agirem em união. Quando eu como o pão, torno-me um com ele; nos unimos. Quando todos comemos do mesmo pão, nos tornamos um com o pão e entre nós. Se o pão representa o corpo de Cristo, significa que estamos nos tornando um com Ele, simbolicamente. Esta é a chave da participação: pelas feridas sofridas por Cristo na cruz, eu fui sarado (Is 53.4-5). Não há mais condenação para os que estão com Cristo (Rm 8.1). A questão de ser aprovado não está ligada ao fato de termos ou não cometido pecados, ou termos ou não confessado estes pecados. Porque aquele que está em cristo é nova criatura (II Co 5.17). E por ser nova criatura não vive pecando (I Jo 3.6). A questão está em saber qual é a minha função no corpo. Entender que eu sou importante para o andamento do corpo. E a participação na ceia é a celebração desta comunhão do corpo. Cada membro deve entender e discernir isso, pois o julgamento ou a sentença não trazem uma condenação de perda da salvação, mas de castigos temporários como doenças e até mesmo a morte prematura.

     v. 31-32 – atesta a necessidade de alto exame, pois assim evitaríamos o julgamento tanto dos outros homens como do próprio Deus. Entretanto, ao sermos julgados por Deus, somos disciplinados por Ele. Pois somos seus filhos, herdeiros da promessa. E Ele nos quer bem.

      v. 33-34 – este é o coroamento da instrução do apóstolo: ‘esperai uns pelos outros’. O que motivou a orientação foi exatamente a falta de companheirismo dos coríntios na ministração da ceia. Mesmo que em forma de banquete. Se eles comecem em comunhão não haveria problemas, mas ao desprezarem os mais pobres eles estavam fazendo acepção de pessoas. E isso para Deus não é admissível, pois Jesus Cristo morreu para todos; seu corpo foi moído por todos igualmente; seu sangue foi vertido igualmente por todos; então a participação na cerimônia que celebra este Seu sacrifício por todos e anuncia a Sua 2ª vinda para todos aqueles que o amam, deve ser discernida e participada por todos em comunhão. Se o objetivo é um jantar de confraternização, façamos em nossas casas, ou marquemos um dia diferente da Ceia do Senhor.

Édison da Silva Gonçalves é Pastor Auxiliar da Igreja Evangélica Cristo para as Nações, em Uruguaiana-RS.

domingo, 25 de setembro de 2016

O VOTO DO CRISTÃO
Rm 13.1-7

     Vivemos dias de campanha política. Trios elétricos, carros, motos e até bicicletas servem de veículos para divulgar nomes e números de candidatos. Toda população é atingida e precisa se posicionar, pois na data prevista para o sufrágio, todos aqueles que possuem título de eleitor, deverão comparecer às urnas e colocar o seu voto.
     O cristão não está isento desta responsabilidade. Embora a Bíblia diga que nós não somos deste mundo (Jo 17.14), vivemos aqui na terra e estamos sujeitos aos seus ditames legais e precisamos exercer bem a nossa cidadania.

Baseado no texto de Romanos vamos tecer algumas considerações:
a) o que é política?
   Política é a ciência da governança de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo tem origem no grego politiká, uma derivação de "polis", que designa aquilo que é público. O significado de política é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público. No sentido comum, vago e às vezes um tanto impreciso, política, como substantivo ou adjetivo, compreende arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores; 
     Na conceituação erudita, política "consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem", segundo Hobbes ou "o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados", para Russel ou "a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo", que é a noção dada por Nicolau Maquiavel, em O Príncipe; 
     Política pode ser ainda a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: política financeira, política educacional, política social, política do café com leite; 
     Numa conceituação moderna, política é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil. Outros a definem como conhecimento ou estudo "das relações de regularidade e concordância dos fatos com os motivos que inspiram as lutas em torno do poder do Estado e entre os Estados"; 
     Num significado mais abrangente, o termo pode ser utilizado como um conjunto de regras ou normas de uma determinada instituição. Por exemplo, uma empresa pode ter uma política de contratação de pessoas com algum tipo de deficiência ou de não contratação de mulheres com filhos menores. A política de trabalho de uma empresa também é definida pela sua visão, missão, valores e compromissos com os clientes. 
     Qual a relação entre política e religião? Se alguma religião quiser impor a sua crença e impedir a crença dos outros, não há como misturar. Caso isto não ocorra, não há como separar política e religião, pois fomos chamados para levar uma mensagem de esperança e transformação ao mundo. Esta mensagem é espiritual, porém em toda história da humanidade, a mensagem do evangelho veio acompanhada de transformações sociais e ideológicas. Tudo que é ligado às relações humanas e a forma como estas relações se dão é política. E nós fazemos política, quando usamos o nosso testemunho para ganhar outros para Cristo.

b) a política é de Deus. (Rm 13.1)
     Diferente do que muita gente pensa, a política é de Deus, porque toda autoridade é ministro de Deus e eles só estão lá porque Deus assim o permite. E o texto nos orienta que não devemos resistir às autoridades, mesmo que elas sejam ruins, porque elas podem ser usadas por Deus para execução da ira sobre aquele que pratica o mal (Rm 13.2-5).

c) devemos cumprir com as nossas obrigações de cidadãos (Rm 13-7).
     Respeitar todas as leis do país onde vivemos é primordial para sermos reconhecidos como bons cidadãos e influenciar com a nossa fé onde vivemos (Fl 2.15). Dentro deste conceito está implícito a oportunidade de utilização de cargos políticos para influenciar o alto-comando das cidades, dos estados e até da nação, por pessoas que professem a fé cristã, a fim de que leis, costumes e a própria governança, sejam dignas de confiança e promovam o bem comum.

d) como o cristão deve agir?
     Em Jr 29.5-7, Deus dá instruções ao povo de como deveria ser a sua conduta numa terra estranha: fazer casas e habitar nelas; produzir através do trabalho e usufruir dele; crescer no meio deles; procurar a paz do lugar (influência positiva); orar pela nação ao Senhor para ter paz.

e) e como o cristão deve votar?
     No conceito de que devemos dar honra a quem merecer honra (v.7b) está a nossa responsabilidade na hora do voto. Nesta parte não só cristãos, como a maioria dos eleitores, não está bem orientada quanto ao correto processo de eleição e ocupação de cargos políticos.
     No Brasil a ocupação de cargos é feita da seguinte forma: para presidente, senador, governador e prefeito o voto é da maioria representativa da sociedade; para deputado federal, estadual e vereador é o voto da representatividade dos segmentos da sociedade, ou seja, no que representa você socialmente. 
     Este voto é determinado pelo quociente eleitoral. Você pode estar votando em um candidato e elegendo outro. Por que? O quociente eleitoral é o resultado dos votos válidos divididos pela quantidade de cargos a serem ocupados. Por exemplo: se numa cidade existem 1000 votos válidos e 20 vagas para vereador, o quociente eleitoral é 50. Isso significa que quando um partido ou coligação alcança 50 votos, elege um dos seus candidatos a uma vaga.

Entendendo melhor:
- o partido A alcançou 100 votos e tem direito a 2 vagas. Os votos foram distribuídos assim: candidato 1=30 votos; candidato 2=25 votos; candidato 3=20 votos; candidato 4=15 votos e candidato 5=10 votos. Os candidatos 1 e 2 foram eleitos e o 3 fica como suplente.

- o partido B alcançou 150 votos e tem direito a 3 vagas. Os votos foram distribuídos assim: candidato 1=40 votos; candidato 2=28 votos; candidato 3=12 votos; candidato 4 =10 votos e etc.... Os candidatos 1, 2 e 3 foram eleitos e o 4 fica como suplente.

     O candidato 3 do partido A com 20 votos não entrou, enquanto o candidato 3 do partido B com 12 votos entrou, porque o quociente eleitoral do partido B foi maior do que o do partido A.

CONCLUSÃO

     O voto do cristão não pode ser por amizade ou por irmandade, principalmente se ele não tem condição de se eleger, pois o voto que foi dado a ele, ajudará a eleger alguém do partido dele, que pode ser um mau candidato. Procure votar em candidatos que possam realizar algo em favor dos seus ideais ou dos ideais cristãos.

Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=rw49s4a2xRg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica
https://www.significados.com.br/politica/
https://www.eleicoes2016.com.br/como-funciona-o-sistema-proporcional/
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica.htm

sábado, 17 de setembro de 2016

Jogos de azar. O que a Bíblia diz?

* O que são jogos de azar?
- são jogos nos quais você investe dinheiro com um grande risco de perder e poucas chances de ganhar; - loteria, rifa, jogo do bicho, megassena, raspadinhas, bolsa de valores, etc. São exemplos de jogos de azar. Alguns destes jogos são permitidos pelo governo mas envolvem o mesmo risco.

* O que não são jogos de azar?
- sorteios em lojas, por recompensa como resultados de compra de algum produto;
- caderneta de poupança e certificados de depósito bancário (CDB) que envolvem investimento de dinheiro, mas com risco pequeno de perdas, pois têm um retorno previsto em juros e correção monetária após algum tempo.
- alguns jogos infantis, vendidos em lojas de brinquedos, que não envolvem apostas em dinheiro, mas são aprisionadores.

* O que a Bíblia diz?
a) Deus não condena a riqueza: Dt 8.18; I Cr 29.12-14.
- geralmente quem quer enriquecer, quer parar de trabalhar: Gn 2.15; II Ts 3.10-11; Pv 12.11; 6.9-11; 13.11; Ex 20.9-11;

b) Deus condena a ambição a qualquer custo: I Tm 6.6-11; Pv 28.20-22;
- ambição:
1) forte desejo de poder ou riquezas, honra ou glórias; cobiça;
2) anseio veemente de alcançar determinado objetivo, de obter sucesso, aspiração, pretensão.

c) O avarento não entrará no céu. Ef 5.5; Hb 13.5; Fl 4.10-13;
- avareza:
1) qualidade de quem tem apego excessivo ao dinheiro, às riquezas: Lc 18.24-25; Mt 6.24.

d) O que vem de Deus não causa sofrimento. Pv 10.22;
- para alguém ganhar, muitos tem que perder; façamos um teste: cada um deixe R$ 5,00 numa bandeja, para que, ao final da reunião, eu vá pegar e levar para casa. Só eu sairei feliz. É o que acontece na maioria dos jogos; é questão de sabedoria.
- a probabilidade de ganho é de 1/500.000.000;

e) Deus condena aquele que não confia nele. Is 65.10-12.
- Ele quer exclusividade nossa: I Co 6.12; Hb 13.5; Lc 8.14; 12.15;

Conclusão

O que fazer então? Seguir três princípios bíblicos.
1. evitar a busca desenfreada por riquezas. “Tudo por dinheiro!”; “A fazenda”; “Big brother”; etc.

2) evitar lucros injustos. Por quê alguém precisa perder para que eu ganhe? Quem investe dinheiro em jogos de azar, muitas vezes investe em vícios, pornografia, prostituição, drogas, lavagem de dinheiro, ociosidade, contravenção e crime.

3) seguir o princípio da mordomia cristã: tudo é de Deus e Ele permite que administremos, enquanto estivermos na terra. Lc 1.2; devemos então:
a) investir com sabedoria: Lc 19.12-23. Separe R$ 200,00; invista R$ 100,00 numa poupança e os outros R$ 100,00 em jogos. Ao final de um mês compare os lucros obtidos e continue investindo naquele que deu mais lucros. Lc 14.28; Pv 12.25; 16.17; 21.20. Quando investimos com sabedoria, investimos no trabalho.

b) O dinheiro, como tudo, é de Deus. Quando eu invisto o dinheiro, tenho de ter em mente que estou investindo o que é Dele e terei de dar contas do destino que dei às Suas coisas, mesmo que seja pouco. Mt 25.27; Lc 16.12.


Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=vajhEXdA938
https://www.youtube.com/watch?v=FWoL4ksgSpw
https://www.youtube.com/watch?v=PbELyzOsS_s
https://www.youtube.com/watch?v=MvQeSn8FURI
https://www.youtube.com/watch?v=DrSGLuBAqng
https://www.youtube.com/watch?v=74xTxxaTM9M
https://www.youtube.com/watch?v=TsooB8Ti0iE

Édison da Silva Gonçalves é bacharel em Teologia, pelo Seminário Teológico José Alfredo e Presbítero da Igreja Evangélica Cristo para as Nações, em Uruguaiana-RS.